Emprego pleno, felicidade plena?

Estamos vivendo um momento único na história do Brasil. Nunca houve tanta oferta de oportunidades, tanta gente empregada como estamos vendo nos últimos anos em nosso pais. Taxas de desemprego baixas (5%) quando comparadas ao Brasil na década de 90 (picos de 20%). Costumávamos ouvir com frequência, conhecidos, colegas e familiares na busca por uma oportunidade de trabalho, desempregados com muito poucas chances de poder escolher o tipo de trabalho. Quando surgia uma vaga, agarrava-se a ela com todas as forças.

Hoje há ofertas para todos os níveis, todas as posições. Os seguimentos de atuação do profissional se ampliaram a cargos e áreas que antes não existiam, da área de mídias sociais, a desenvolvimento de games. Headhunteres e empresas brigando a tapa por profissionais qualificados. Quando não os encontram estão dispostas a investir em seu desenvolvimento e conhecimento. Porém tenho encontrado em meu escritório de Orientação de Carreira e Coaching, e ouvido cada vez mais dos profissionais empregados desta nova era do mercado de trabalho,  pessoas cada vez mais esgotadas, inquietas e insatisfeitas pela forma com que o trabalho vem ocupando a suas vidas. Hoje, o lema nas organizações é “Ter mais com menos”, mais trabalho com menos pessoas, e aos poucos as pessoas são levadas a fazer, a acumular responsabilidades, agrupar funções sem refletir de fato no sentido destas atividades, no significado delas em suas vidas, na conexão com suas habilidades e seus interesses, na convergência com seus objetivos. São levadas a elas e poucas de fato tem conseguido escolher se querem ou não estar onde a empresa às leva a estar. Quando se enxergam e se percebem onde estão, quando se reconhecem na cadeira que estão sentadas, se assustam e se surpreendem, muitas vezes não conseguindo mais identificação naquele cenário em que estão vivendo. Como se ela fosse uma peça de um quebra cabeça que saiu do lugar e não pertencesse mais aquele jogo.

As empresas não querem e não esperam mais que seus funcionários trabalhem 8 horas por dia. Isso parece ser uma raridade improvável. Bem, se o dia tem 24 horas, 8 deveriam ser ocupadas para o trabalho, 8 para dormir e descansar  e as outras 8 para cuidar do si mesmo,  do seu bem estar, do seu corpo, da saúde, do encontro consigo mesmo, investir nas relações importantes, no conhecimento e desenvolvimento pessoal. O modelo atual de dedicação absoluta do ser “humano” à empresa, onde o trabalho ocupa mais de 10, 12 horas por dia seja no escritório ou em casa não o torna produtivo. A produtividade tem relação direta com a satisfação e com o sentimento de realização pessoal. Porém até mesmo àqueles que amam de fato o seu trabalho, por maior que seja o seu prazer, por maior gratificação e recompensas que esse trabalho pode lhe proporcionar, se não permitimos que as outras áreas da nossa vida possam também ser trabalhadas e cuidadas a satisfação e a realização pessoal deixa de ser sustentável a longo prazo. O ser Humano para se sentir pleno, inteiro, necessita estar em harmonia consigo mesmo em todos os outros campos da sua vida, seja ele na saúde, na vida familiar, no relacionamento afetivo, no lazer, no espiritual e emocional.

Nas empresas a tendência por pressão, metas e resultados vai continuar aumentando ano após ano, e o ser humano com suas inquietações e angústias frente a isso não deixará de buscar e de querer se apropriar daquilo que de fato pode lhe gerar ganhos psicossociais, na realização de seus objetivos e na busca por sentido e propósito naquilo que realiza na vida.

                                                                                                                                                           05/04/2013

Tali Alkalay Brenman